Foto do dia: O monumento ao episódio Sette Giugno

sete de junho monumento Malta

Conhecido como o Sette Giugno, este feriado maltês relembra o trágico acontecimento do dia em 7/06/1919. Depois da Primeira Guerra Mundial, o país que na época estava sob o domínio britânico enfrentou alguns problemas econômicos. Os malteses reclamavam que o custo de vida e o desemprego aumentaram substancialmente. A insatisfação dos malteses fez com que se unissem para reivindicar seus direitos. Aconteceram alguns protestos contra o governo britânico, mas os piores aconteceram no dia 07/06/1919 e resultaram na morte de quatro pessoas: Ġużeppi Bajjada, Manwel Attard, Wenzu Dyer and Karmenu Abela. Mas foi apenas em 1921, que os mártires tiveram seus desejos atendidos e Malta teve seu primeiro Governo Autônomo.  Em memória desses bravos malteses, este monumento da foto foi construído na praça St. George, onde essa foto foi tirada. Entretanto, atualmente, o monumento está no Hasting Gardens em Valletta. Aliás, esta é uma belíssima foto feita pelo jornalista cultural húngaro George Rumpler.

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Foto do dia: Aniversário de 200 anos da Biblioteca Nacional de Malta

Biblioteca Nacional de Malta

Todo jornalista ama ler, tem adoração por livros e, no meu caso, tem um respeito enorme pelas bibliotecas. Por isso, fica aqui a minha homenagem aos 200 anos que a Biblioteca Nacional de Malta está completando este ano. Temos que agradecer a todos que lá trabalham por conservar algumas relíquias da história. Você pode imaginar o que é guardar livros impressos antes de 1500? Pois é, nessa biblioteca eles tem alguns desses tesouros, chamados de Incunábulos, um deles é o Ptolemy’s Cosmographia (Roma, 1490) que tem Malta no centro do Mediterrâneo desenhada em um mapa.

Em comemoração a todos esses anos de história a Biblioteca está com um programação especial entre os dias 04 e 10/06. Confira aqui.

Ah! E olha que bacana, o correio maltês fez um selo especial em comemoração a essa data, veja aqui.

Obs.: Além da bela arquitetura e estátua que tem ali, esse café bem na frente é um charme, não é verdade?!

Elizabeth em sua primeira visita a Malta como Rainha inaugurou o Commonwealth Air Force Memorial

Entre os dia 02 e 05 de junho o Reino Unido esteve em festa por conta do Jubileu de Diamante de Elizabeth II. A rainha britânica está celebrando seus 60 anos de reinado. E como você sabe, Malta foi colônia britânica durante muitos anos e portanto a Rainha esteve por lá inúmeras vezes. Com isso, eu não poderia deixar de homenageá-la e, claro, trazer algumas curiosidades relacionada a esse tema. Como viram na foto que postei hoje Foto do dia: Rainha Elizabeth nos tempos que viveu em Malta, ela chegou até a morar lá durante 2 anos.

Mas esse vídeo de 1954 mostra a primeira vez que Elizabeth visitou Malta como rainha e mais com seus filhos a tiracolo. Sim, princesa Anne e príncipe Charles também aparecem nesse vídeo. A rainha esteve em Malta para a inauguração do Commonwealth Air Force Memorial. O monumento é uma homenagem em memória aos mais de 2000 aviadores da força aérea da da Commonwealth que morreram na Segunda Guerra Mundial e voaram a partir da Sicília, Malta, Tunísia, Argélia, Marrocos, África Ocidental, Iugoslávia, dentre outros. O Memorial está em Floriana e tem o nome de cada um dos aviadores escrito em sua base.

A águia foi esculpida por Charles Wheeler (1892-1974) e o monumento foi projetado pelo arquiteto Sir Hubert Worthington (1886-1963).

Foto do dia: Rainha Elizabeth nos tempos que viveu em Malta

Em homenagem às comemorações dos 60 anos de reinado da Rainha Elizabeth II, a foto de hoje é dos tempos que ela ainda era uma princesa. A foto é de 1949 e mostra Elizabeth e seu marido, Philip, na Villa Guardamangia, em Malta. Elizabeth morou na ilha entre 1949 e 1951, para acompanhar o duque de Edimburgo que estava servindo à Marinha. Com certeza, este é o motivo da rainha ter um carinho muito especial pela ilha. Procurei a foto da casa que a rainha viveu, mas pelo o que descobri no Times of Malta, a casa que fica em Pietà está às ruínas. Um primeiro artigo  mostra a reclamação de um morador da cidade e um apelo do jornalista para que auxiliassem na reforma da casa, pois faz parte da história do país. Mas num segundo artigo, o prefeito de Pietà concorda que a casa tem um grande valor histórico, mas explica que o governo não pode fazer nada, uma vez que se trata de uma propriedade privada. =(

Também encontrei o vídeo desse momento da foto, dá uma olhada aqui.

Viaje pelo passado de Malta através de fotos no Facebook

Valletta passado e presente. Malta Once upon a time.

Foto: Malta Once upon a time.

Malta Once upon a time (numa tradução livre “Era uma vez em Malta…”) é uma fan page muito bacana que encontrei no Facebook. Na verdade, é uma delícia de fan page que nos leva a uma viagem incrível ao passado da ilha, através de fotos.

Sou apaixonada por montagens que mostram antes e depois de lugares. Por isso, um dos destaques da fan page está no álbum que tem fotos como esta que eu escolhi, passado e presente, lado a lado. O que mais me chamou atenção nessa montagem, foi que na foto do passado vemos Valletta sem um dos pontos mais marcantes de seus cartões postais, a enorme cúpula da igreja Our Lady of Mount Carmel. Nem parece, Valletta! hehehe É muito interessante ver o crescimento de um país sendo contado através de fotos.

Foto do dia: old buses

cruz de Malta classic bus

Seguindo no tema ônibus antigos de Malta. Essa foto eu tirei do teto de um dos ônibus que peguei. O maltês é muito patriota e com isso tem cruz de Malta espalhada por todos os lados. 🙂

Malta, a Hollywood do mediterrâneo

Existe um outro motivo que também contou pontos na minha escolha por Malta, mas que eu nunca comentei por aqui. Como já disse antes sou produtora RTVC (abreviação de Rádio, Tv e Cinema), ou seja, trabalho com produção de filmes comercias em agências de publicidade. Daí você já imagina o quanto curto um “por trás das câmeras”, né?! E também já fica mais fácil adivinhar o quanto uma jornalista, produtora, e diga-se de passagem apaixonada por fotografia, trilhas sonoras e direção de arte, é fascinada pelo mundo cinematográfico, né?!

Ok, mas onde Malta entra nessa história? Seria Malta um paraíso da publicidade? Não, infelizmente, não. Pelo o que vi por lá, eles estão bem longe disso.  Porém, Malta tem tantos cenários naturais, históricos e arquitetônicos maravilhosos que se tornou um hot spot de locação para filmagens. E até filmagens hollywoodianas, viu?! Por isso não estranhe se encontrar algum famoso por lá. A lista de celebs que já passaram por Malta é grande: Robin Willians, Geena Davis, Sharon Stone, Brad Pitt, Angelina Jolie, Colin Farrell, Anthony Hopkins, etc. Malta já foi palco de romance, drama, suspense, de mitologia grega, histórias infantis e até guerra de zumbis. Aos poucos vou contando pra vocês um pouco mais sobre Malta como indústria cinematográfica e um pouco de curiosidades, como quais filmes foram rodados por lá, onde foi, quem participou…

Quando cheguei em Malta aos poucos fui compreendendo o porque ela se tornou um lugar tão procurando para filmagens. Em primeiro lugar, Malta tem durante o ano todo um clima maravilhoso  e propício para filmagens, com muitos dias ensolarados que possibilitam longas horas de filmagens por dia.  Além disso, Malta tem uma enorme diversidade de cenários. Tem palácios e catedrais barrocas, fortalezas e cidades muradas, penhascos íngremes, baías rochosas, praias de areia, portos naturais, antigas vilas de pescadores do Mediterrâneo e até mesmo reservatórios de águas com um o mar aberto no horizonte. São inúmeras as possibilidades de filmagem por lá, por isso agradada tanto a indústria cinematográfica.

Acho que já deu para você ter uma ideia de quanto esse motivo contou pontos para eu embarcar pra Malta, né?!

Malta e seus sete mil anos de história

Vista aérea do templo megalítico Mnajdra, contruído entre 3600 e 3200 AC em Malta. (Foto: Pasquale Sorrentino/AGE)

Como contei em outro post, esse foi um dos motivos que me fez escolher Malta. Você consegue imaginar que os primeiros habitantes chegaram em Malta ainda no período Pré-histórico, mais de 5 mil anos antes de Cristo? Malta tem história pra contar, hein?!

E o que aconteceu de lá pra cá? Bom, como tem história pra caramba, decidi começar montando uma linha do tempo e aos poucos conto com mais detalhes pra vocês.

5.000 AC Fase Ghar Dalam, surgiram os primeiros humanos em Malta. 

3.600 AC  Os primeiros templos Megalíticos foram construídos.

2.400 AC – Introdução da cultura da Era de Bronze.

700 AC – Os primeiros contatos dos Fenícios com a ilha.

218 AC – Os romanos assumem o controle de Malta, depois de um ataque durante a Segunda Guerra Púnica.

535 DC – Os bizantinos passam a controlar Malta.

870 – Os árabes dominam o país.

1091 – O Conde Roger da Normândia invade Malta.

1266 – Período Angevino.

1282 – Malta torna-se parte do Reino de Aragon.

1530 – A ilha é considerada feudo da Ordem de São João.

1565 – O  Grande Cerco, contra o ataque dos Otomanos.

1798 – O grão-mestre Hompesch assinou a rendição para a Ordem de Napoleão Bonaparte.

1800 A França rendeu-se e os britânicos assumiram o controle admistrativo de Malta.

1814 – O Tratado de Paris confirma a posse britânica da ilha.

1921 – O primeiro auto Governo.

1940 Aviōes italianos fazem ataque aéreo após Itália declarar guerra ao Reino Unido e aliados.

1964 – Malta ganha indepedência da Inglaterra e faz parte da comunidade britânica.

1974 – Malta é declarada como República pelo parlamento.

1979 – A última base militar estrangeira é fechada.

2004 – Malta torna-se membro da União Européia.

Mosta Dome, a igreja que tem um polêmico milagre em sua história

Aproveitando que estamos na Semana Santa, que tal uma dica de ponto turístico religioso? Pra quem é muito católito, eu super recomendo Malta para turismo religioso. As opções de passeios e festas são intermináveis. Só pra você ter uma ideia, Malta tem mais de 350 igrejas. Pensa só, quase uma igreja pra cada dia do ano!

E uma dessas igrejas que, sem dúvida alguma, você tem que conhecer é a St. Mary, a Igreja Paroquial de Mosta, conhecida também por Mosta Dome e Mosta Rotunda, por conta de sua cúpula e forma circular. Esse passeio é bacana fazer independente de ser ou não religioso, viu?! Afinal, essa igreja possui um curioso milagre em sua história.

Mosta Dome foi criada pelo arquiteto maltês Giorgio Grognet de Vassè que se inspirou no Pantheon de Roma, o que lhe rendeu o título de primeira igreja desse estilo em Malta. A igreja foi construída para substituir uma paróquia de 1614 e sua construção demorou cerca de 30 anos, sendo concluída em 1860. A igreja é linda e enorme. Tem uma cúpula maravilhosa e que é considera a terceira maior do mundo, com 61 metros de altura e 39,6 de diâmetro. É tão grande que é possível enxergá-la de outras cidades de Malta.

Achei interessante fotografar os folhetos que tem na igreja, pois estão em maltês.

Estive em Mosta duas vezes e em uma delas estava rolando um encontro muito legal de Ferraris.

O milagre da bomba

Situada na região central de Malta, a cidade de Mosta tem seu nome derivado de uma palavra árabe “musta” que significa centro. Mosta tem como vizinha a cidade de Attard, que hoje abriga o principal estádio de futebol do país e o Parque Nacional de Ta’ Qali. Porém na época da Segunda Guerra Mundial, este parque era uma base aérea militar e sofreu alguns ataques.

Em vermelho é Mosta e em azul Attard, onde fica Ta' Qali.

Durante um destes ataques, na tarde de 9 de junho de 1942, diversas bombas alemãs foram jogadas ao redor da Mosta Dome e uma delas atingiu a cúpula, caiu e rolou pelo chão da igreja. A igreja estava lotada, havia cerca de 300 pessoas lá, aguardando pela missa, mas acredite se quiser ninguém ficou ferido e a igreja teve danos leves. E tudo isso só foi possível porque mlagrosamente a bomba não explodiu. hehehehe

Existe até uma lenda, que diz que quando abriram a bomba para desarmá-la, estava cheia de areia e uma nota dizendo: “Saudadões dos funcionários da Skoda Works, Pilsen”. Até faria sentido que se tratasse de uma sabotagem da produção, pois naquela época a Tchecoslováquia estava sob o domínio da Alemanha nazista. Porém, contudo, no entanto, todavia… segundo a escritora britânica S A M Hudson em seu livro “UXB Malta: Royal Engineers Bomb Disposal 1940-44“, a bomba era de verdade e não se trata de um milagre como muitos fiéis acreditam até hoje. Ela foi apenas mais uma das mais de 7.000 bombas que foram jogadas sobre Malta, não explodiram e foram tratadas pelo Setor de Neutralização de Bombas de Malta.

Na sacristia da Mosta Dome, tem uma réplica da bomba. Lá, você também poderá comprar alguns souvenires. Uma dessas recordações que está à venda é a cópia a foto dos militares com a bomba. Eu comprei para o meu pai, pois ele adora essas coisas. Mas acabo de descobrir que talvez essa foto seja uma farsa. =(

Segundo Hudson, a bomba que esta na foto tem cerca de 1.000 kg e a que caiu na igreja tinha 500kg. Em seu blog, ela postou esta foto como sendo de 1941, ou seja, um ano antes do ocorrido em Mosta. Como fiquei furiosa curiosa sobre o assunto, decidi pesquisar mais e encontrei um outro livro que fala sobre o Milagre da Bomba Malta at War: Volume 5 No 11. Neste livro os autores John A. Mizzi e Mark Anthony Vella dizem que nesta foto tem um agente que havia sido morto num bombardeio na Sicília alguns meses antes. E agora? Será que essa foto é ou não é da bomba que caiu em Mosta? Fica a dúvida.

A polêmica foto, será ou não de Mosta?

O buraco que a bomba fez na linda cúpula da igreja.

A restauração da cúpula não ficou perfeita. Foto: Klaus Ipsen

A réplica da bomba .

Horário de Funcionamento: todos os dias das 05h ao meio-dia e das 15h às 20h

Endereço: Triq Il-Kbira, Mosta

(obs.: Triq significa Rua em maltês)

Como chegar: Veja as rotas e horários no site da Arriva.

“Os refugiados da Líbia estão indo para Malta”

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Um belo dia acordo com meu irmão me ligando e dizendo esta frase: “Os refugiados da Líbia estão indo para Malta”.  Detalhe: faltava menos de um mês para a minha viagem. =/ Difícil descrever o meu sentimento naquele momento. Foi um misto de medo e desespero. Passou um filme de terror e de guerra na minha cabeça. Em segundos consegui me imaginar no meio de um lugar devastado, sendo bombardeado, passando fome, sede… (drama queen hehehe)

De qualquer maneira, só conseguia pensar que meu sonho tinha sido destruído. Enquanto os líbios sonhavam em deburrar seu líder, quem havia sido derrubada tinha sido eu. Depois do choque inicial, chorei compulsivamente e aos poucos fui voltando a realidade e percebi que só me restava uma alternativa: pesquisar sobre o assunto.
Foi então que descobri que Malta havia entrado para as pautas de todos os jornais brasileiros. E não era por causa das lindas paisagens que eu queria conhecer. A primeira notícia que li foi esta:

Pilotos da Líbia desviam seus caças e pedem asilo em Malta

Você pode imaginar o meu desespero ao ler isso? Eles acolheram os caras que desrespeitaram uma ordem do ditador. =/  Confesso que eu não tinha a menor ideia do que isso poderia significar num futuro próximo, mas não conseguia pensar em nada pacífico. Depois disso, vieram muitas outras, falando sobre aviões e helicópteros militares que chegavam por lá. Navios com refugiados que estavam a caminho. Brasileiros e muitos outros estrangeiros que viviam na Líbia e estava sendo resgatados e levados para Malta. Após ler muito, percebi que a resposta que eu queria, eu não iria encontrar. O que aconteceria com Malta se Kadhafi fosse derrubado e se não fosse? O que aconteceria com Malta se fosse tomada por refugiados?

E quanto mais notícias eu lia sobre o assunto, mais preocupada eu ficava e mais eu me perguntava deveria cancelar tudo? Transferir o curso para a Inglaterra? Pra você ter uma ideia, tudo isso aconteceu por volta do dia 21/02, a minha passagem estava marcada para dia 12/03. O que você faria?
Eu entrei em contato com o Consulado de Malta, falei com a moça da escola com quem fechei o curso, com brasileiros que já estavam por lá e conheci pelo orkut, até cartomante eu consultei. hahahaha E todos diziam a mesma coisa. Que estava tudo tranquilo e que não haveria problema algum para Malta. Uma amigona minha, a Ju, até consultou uma jornalista amiga dela que estava trabalhando no caso da Líbia. Não sei nem como agradecê-la, isso me ajudou e tranquilizou tanto. Tudo o que ela disse foi que apesar da situação estar tensa, eu não deveria me preocupar, pois os refugiados que estavam indo para lá não eram bandidos, perigosos. Eram cidadãos que queriam condições de vida melhores, a libertação de um regime ditatorial de mais de 40 anos e que iriam utilizar Malta apenas como ponte para ir para outros países da Europa, devido à sua posição estratégica. (saiba mais sobre a guerra da Líbia aqui)
Depois de muitas preocupações, medos e indecisão, me acalmei e decidi encarar: Bora pra Malta! =)